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domingo, 6 de junho de 2010

O que tenho feito ultimamente

Durante a semana fico enclausurada em casa ou na biblioteca, escrevendo a monografia, com interrupções para aulas de spinning, dança de salão, salsa e pilates.

Mas nos fins de semana tento aproveitar o que a cidade e o entorno oferecem… alguns aperitivos:

  • Passeio de barco pelo Spree, rio que corta a cidade, no começo de maio:
  • Visita ao presídio de Höhenschonhausen, hoje desativado, onde ficavam os presos políticos da ex-República Democrática Alemã. Durante 2h, o guia, um ex-detento, conta a história do prédio, o dia-a-dia dos presos, as técnicas de tortura aprendidas com os soviéticos (que também usaram o prédio como presído logo após a Segunda Guerra) e como funcionava a máquina policial e judiciária do regime comunista alemão, também no começo de maio:
  • Karnaval der Kulturen, um “carnaval de rua fora de época” muito engraçado, com direito a “trios elétricos”, que corta as ruas de Kreuzberg, em 23 de maio:

O bloco “mais animado” (!), Afoxé Leoni, era “teuto-brasileiro”: uma puxadora baiana e muitas baianas alemãs… 

  • Ida a Bückow, uma cidade a 1h30 ao norte de Berlim, passando por lindos campos amarelos (plantações de canola) e florestas de um verde intenso, típico da primavera, no final de maio:

Como não amar esta cidade?!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Rügen

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Rügen, provavelmente o maior balneário de veraneio da Alemanha, é a maior ilha do país, banhada (por todos os lados, hehehe) pelo Mar Báltico.

mapa Rügen

Eu, que já havia estado lá em 1995, me entusiasmei com a ideia de visitar a ilha novamente, o que fiz no último fim de semana de abril, aproveitando a rara previsão –– que felizmente se confirmou –- de sol e temperaturas acima dos 10 graus celsius.

No trajeto, várias usinas de energia eólica (que mais parecem plantações de catavento) e a bela paisagem das planícies do nordeste alemão servem de moldura para uma “Autobahn” (rodovia federal) irretocável, na qual é possível (e permitido!) viajar a 200km/h (!) com toda a segurança, e tendo a impressão de que se está, no máximo, a 150km/h.

Foi de cima da ponte que liga a cidade de Stralsund, no continente, à ilha, que revi o Mar Báltico depois de 15 anos.

Binz foi a cidade escolhida como base para esta visita a Rügen, por ser a mais urbanizada e com melhor infra-estrutura turística da região. Com o vento e o frio sob controle, foi surpreendentemente prazeiroso caminhar (de casaco e sapatos) pela praia de areia fina e branca, respirar o ar marinho e sentir o sol brando bater no rosto.

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Também passeei pela praia em Göhren, ao sul de Binz, passei por Sellin, onde tomei um sorvete em um belo café construído “sobre as águas”, e vi o sol se por em Kap Arkona, no extremo norte da ilha.

No nordeste da ilha, próximo a Sassnitz, há um parque ecológico com belas trilhas pela floresta (ainda desfolhada) que levam a um lindo conjunto de escarpas de cor branca, supostamente efeito do giz (ou seria caolin?) contido nas pedras da região. O contraste do branco das pedras com o azul da água é de uma beleza singular. Infelizmente, as fotos não fazem jus ao cenário...

Outra visita curiosa foi à cidade de Prora, onde existe um imenso complexo de prédios, hoje abandonado, erguido durante o regime nazista para servir de balneário de férias para a população alemã. A crença vigente à época era a de que um povo com acesso a lazer também seria um povo forte, daí a construção ter recebido a alcunha “Kraft durch Freude”, ou KdF, literalmente “Força através do Contentamento”.  O conceito –- e sua implementação –- são desconcertantes…

Mas a maior surpresa da viagem foi mesmo o único quiosque na beira da praia em Binz. Os mais atentos logo verão, na foto abaixo, a bandeira do Brasil, e lerão as inscrições nas faixas verde (“Bar Brasileiro”) e amarela (“Cantinho Legal”). Não é exagero dizer que brasileiro está em tudo o quanto é canto… até em Rügen!!!

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domingo, 16 de maio de 2010

Brandemburg Stadt

Outra cidade próxima a Berlim (70 km) que visitei recentemente foi Brandemburg, antiga capital do Estado homônimo (função hoje exercida por Potsdam, como contei em http://graci-in-berlin.blogspot.com/2010/05/ultimos-dias-com-patricia.html).

Apesar de antiqüíssima (o primeiro povoado teria surgido por volta do ano 1000 d.C.), esta cidade às margens do rio Havel somente entrou para a história no século XX, pela infâmia de ter abrigado o principal centro de execução de deficientes físicos e mentais conduzido pelos nazistas sob o eufemisto “eutanásia”.

Tristemente, Brandemburg ainda não conseguiu se recuperar dos longos anos de guerra e comunismo, e é hoje um retrato do que muitas regiões da antiga Alemanha Oriental se tornaram: uma bela cidade que a falta de cuidado, manutenção e reformas enfeiou, e que viu sua população economicamente ativa diminuir e envelhecer nos últimos 20 anos devido ao êxodo dos jovens para o oeste.

Últimos dias com a Patrícia

Como eu ainda estava em época de provas quando a Patrícia chegou, ela acabou tendo que fazer a maior parte dos passeios em Berlim sozinha. Mas, depois que voltamos da nossa viagem pela Europa, ainda consegui mostrar a ela algumas coisas que ela não tinha visto na cidade, como a East Side Gallery (pedaço do muro hoje inteiramente pintado por artistas plásticos), o Museu Judaico, o Domo (catedral protestante) e o bairro de Friedrichshein.

Na véspera da nossa despedida, Pat e eu passamos o dia na vizinha cidade de Potsdam, capital do Estado de Brandemburgo (Berlim, como Brasília, é um “enclave” dentro de Brandemburgo), palco da Conferência realizada pelos aliados em 1945, que resultou na divisão da recém-derrotada Alemanha em quatro áreas de ocupação administradas por EUA, URSS, Inglaterra e França –- e que mais tarde resultaria na divisão do país em dois, com a criação da República Democrática Alemã.

Além da obrigatória visita a Sanssouci, com seus jardins e palácios, também fomos ao Castelo Cecilienhof (onde se realizou dita Conferência), ao bairro holandês e à vila russa Alexandrowka.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Munique –- de terça-feira, 2.5., a sexta-feira, 5.5.

Munique é uma das minhas paixões, não só por ser uma lindeza, mas principalmente porque lá eu passei um dos melhores anos da minha vida. Adoro apresentar a cidade a pessoas queridas. Foi assim com meus colegas de mestrado, com quem passei um fim de semana por lá em novembro do ano passado, e também com a Patrícia.

O circuito foi completo: o centro da cidade, a praça da prefeitura, as cervejas, as igrejas, a universidade, as salsichas o parque, a vila olímpica, as salsichas, a principal cervejaria, as salsichas, as cervejas, as salsichas, as cervejas, as cervejas, as cervejas… não poderia haver melhor forma de encerrar esta super viagem!

Stuttgart-Füssen-Rota Romântica até Augsburg–Munique –- de segunda-feira, 1.5., a terça-feira, 2.5.

Stuttgart-Füssen

O trecho “Telma & Louise” (mas sem a delinquência) da viagem. Voamos de Barcelona para Stuttgart, onde pegamos nosso carro alugado e partimos em direção a Füssen, cidadezinha no extremo sul da Alemanha, onde chegamos já de noite e sob um frio de 1,5 grau Celsius. O motivo da parada era visitar Neuschwanstein, o castelo criado pelo Rei Ludwig II da Baviera, no qual o Castelo da Cinderela da Disney foi inspirado.

Füssen - Neuschwanstein 2

Eu, que já tinha estado lá outras duas vezes, mas sempre no verão, fiquei encantada com a paisagem de inverno…

Na manhã seguinte, terminada a visita ao castelo, partimos pela Rota Romântica em direção ao norte, até Augsburg (mais ou menos na metade do caminho).

Rota Romântica

No total, foram pouco mais de 400km rodados no sul da Alemanha em 24 horas. No mapa abaixo, a rota está demarcada em lilás. “A” = Stuttgart, “B” = Füssen e “C” = Augsburg. Munique (“München”, em alemão) está assinalada dentro de um quadrado vermelho, assim como Berlim, bem mais ao norte, que marquei para referência.

Stuttgart-Füssen-Augsburg-Munique

E o melhor foi voltar a dirigir depois de quase seis meses! Tá, talvez eu preferisse ter percorrido a Rota Romântica em uma companhia mais… romântica (sem ofensas, Pat, mas você não faz o meu tipo -- apesar de o fato de você ter aguentado o CD com  óperas de Wagner durante o trajeto ter contado pontos a seu favor), mas ainda assim foi uma delícia!

Pena que logo chegou Munique, e com ela a hora de devolver o carro…

Barcelona –- de sexta-feira, 26.2., a segunda-feira, 1.3.

Em Barcelona, voltamos a encontrar amigos (meus, o eslovaco Tomás e a espanhola María, colegas do mestrado; da Patrícia, a Sabrina, que faz doutorado por lá, e seu namorado catalão Albért). E caminhamos até não sentir mais os próprios pés. E nos encantamos com o estranho mundo de Gaudí. E aprendemos a gostar de Picasso (pelo menos até ele resolver entrar naquela onda ruim do cubismo). E nos fartamos com deliciosas “tapas”.

Difícil mesmo foi tirar da cabeça o refrão da música-tema do filme Vicky Cristina Barcelona...





Só tenho que confessar uma blasfêmia: gostei mais da catedral (em especial do cláustro) do que da Sagrada Família…

Valência – de quinta-feira, 25.2., a sexta-feira, 26.2.

Valência, para mim, foi a melhor surpresa da viagem. Eu não sabia nada sobre a cidade, nem procurei saber, e pela primeira vez em muito tempo cheguei a um lugar sem ter a menor ideia do que encontraria.

Encontrei uma belíssima cidadezinha repleta de construções medievais em pedra clara, com tortuosas ruazinhas estreitas, perfeitas para se andar a esmo sob um céu azul intenso como o daquele cair de noite…

E, filhas de Deus que somos, para apreciar uma taça de cava em uma xampagnería, seguida de um lauto jantar com tapas e paella valenciana em um simpaticíssimo restaurante local.

Madri –- de segunda-feira, 22.2., a quinta-feira, 25.2.

Todos os sinais indicavam que Madri seria um desafio à paciência e ao bom-humor. O vôo saindo de Paris, que já chegaria quase às 23h na capital espanhola, atrasou duas horas. A minúscula sala de embarque estava lotada. E não tínhamos levado nada para comer. Praticamente um revival do nosso bom e velho apagão aéreo…

Chegando lá, depois de meia hora hipnotizada pela rotação da esteira de bagagens, pouco a pouco esvaziada com a retirada das malas pelos respectivos donos, finalmente aceitei resignada o fato de que a minha, mais uma vez (http://graci-in-berlin.blogspot.com/2009/09/willkommen-in-berlin.html) não estava dentre elas.

No total, entre a espera e o registro da queixa, mais uma hora perdida no Aeroporto de Barajas. Cansadas, gastando o portunhol e as células cinzentas para decifrar mapas, ainda faltava descobrir como funcionava o metrô e como chegar ao albergue, em plena madrugada chuvosa.

Na manhã seguinte acordamos para nosso primeiro dia na cidade, que não entrará para a história como um dos dez mais divertidos. A começar pela minha pequena decepção com o Museu do Prado (que é um belo museu, claro, mas que teve o infortúnio de nos receber imediatamente após nossas visitas ao Louvre e ao Musée d’Orsay), passando por cartões telefônicos que não funcionavam quando mais se precisava deles, pelo desconhecimento quanto ao paradeiro da minha bagagem e por um inesperado banho de chuva gelada  sem qualquer abrigo por perto, que inutilizou a única muda de roupas que eu tinha –- a do corpo –-, aquela terça-feira, que culminou com a primeira das três pisadas em cocô de cachorro madrilenhas, foi um dia inesquecível a ser esquecido.

Mas não há mal que sempre dure, como diz o adágio. O dia seguinte foi bem melhor, apesar das duas pisadas em cocô de cachorro (desta vez encaradas com bastante humor!) e do Palácio Real estar fechado à visitação pública em razão de visita oficial. O dia ensolarado e ótimas surpresas, como o belo Templo de Debod e o Museu Reina Sofia, e a notícia de que minha mala estaria esperando por mim no aeroporto no dia seguinte, ajudaram a superar o trauma do dia anterior.

E na nossa última manhã na cidade, antes de irmos para o aeroporto, onde se deu meu emocionante reencontro com meus pertences, ainda conseguimos visitar o Palácio Real (quem não ficou fã do Rei Juan Carlos após o “porque no te callas” dito ao Hugo Chavez?!)…

“Ok, você venceu, batata frita…”

Minha ex-chefe, que se tornou uma grande amiga (e que por isso mesmo vai me perdoar por ter esquecido o aniversário dela –- parabéns atrasados, Marta!), costumava dizer que “o ótimo é pior que o bom quando chega tarde” toda vez que algum prazo fatal se aproximava perigosamente, sem que eu desse mostras de estar perto de terminar meu trabalho.

A verdade é que esse perfeccionismo que cultivo para algumas coisas (não, Mãe, arrumação não é uma delas!) pode mesmo ser contraproducente… é o caso do blog, por exemplo: mais um mês se passou, e nada de eu postar sobre a viagem com a Patrícia, já que não consegui escrever nada que considerasse satisfatório.

Mas de vez em quando tenho alguns rompantes libertadores, e ontem tive um deles: o propósito do blog não é exercitar a escrita, e sim manter pessoas queridas informadas sobre como andam as coisas por aqui! Perdoem portanto a escassez de comentários, e aproveitem as fotos!

Primeira escala: Paris (de sexta-feira, 19.2., a segunda-feira, 22.2.2010)

Voltar a Paris foi fundamental para que eu deixasse para trás a má impressão dos parisienses que minhas duas passagens anteriores pela cidade tinham criado. Eliminar esta ressalva me fez ingressar num clube numeroso mas bastante exclusivo, o dos que são incondicionalmente apaixonados pela capital francesa.

Claro que também foram fundamentais para a minha revisão de conceitos as divertidíssimas companhias da Máisa, amiga da Patrícia que mora na França e se juntou a nós neste fim de semana, e da própria Patrícia, que estava 1) possuída pelo espírito de um turista-japonês-tirador-de-fotos:

“-Pati, nós vamos chegar mais perto da Notre-Dame, não precisa fotografar daqui, de onde não dá pra ver direito!”

“ - Eu sei; mas quero fotos daqui e de lá também! Click! Click!”

e 2) tomada pelo monstro-do-eu-preciso-ver-tudo-em-quatro-dias-então-corre!

Queijos e vinho no quarto (regados a uma conversa surreal! In vino veritas…), voltar ao Louvre, ao belíssimo Musée d’Orsay, finalmente conhecer o Museu Rodin, tomar champagne no Champs Élysées, passear de barco pelo Rio Sena, ser recompensada com a deslumbrante vista da cidade após penar para subir os mais de 400 degraus da torre da Notre Dame… Paris foi mesmo uma festa para os olhos e para todos os demais sentidos, inclusive o paladar! Foi em um bistrô parisiense, levada pelo Raphael Calmon -- outro amigo da Patrícia e que mora na cidade --, que eu provei o melhor prato que já comi até hoje: um steak tartare (carne crua cortada em pedacinhos bem pequenos) ao pesto de manjericão. Simplesmente divino.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Viagem de Ano Novo: Retorno a Berlim

Depois de 13 dias, a volta para casa. Nevou tanto nesse período que a impressão que tive, ao chegar, é que aquela não era a minha rua…

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Quem quiser comparar pode conferir a foto do post http://graci-in-berlin.blogspot.com/2009/12/em-berlim-16h30-da-noite.html

Viagem de Ano Novo: Budapeste

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Budapeste, nosso último destino antes do regresso a Berlim, era também a única cidade do roteiro que eu não conhecia, e portanto, pelo menos para mim, o momento mais aguardado da viagem.

Talvez por isto, talvez pelas inúmeras loas à capital húngara que eu ouvira até então, talvez ainda por ser inverno em uma cidade que vive do turismo de verão, mas provavelmente pela junção de todos estes motivos, o resultado foi uma leve frustração.

Não que a cidade seja feia, pelo contrário! A parte central, não-homogeneizada pelos anos de comunismo, é muito bonita, e lembra Viena –- o que não é surpresa, considerando que o império dos Habsburgo não se chamou “Império Austro-Húngaro” à toa.

Também não há o que reclamar da hospedagem (um bem-cuidado e muito bem localizado apartamento de três quartos, de longe o melhor albergue em que ficamos), nem da hospitalidade dos húngaros (bastante simpáticos e com domínio do inglês suficiente para atender os turistas, uma ótima notícia considerando que o idioma húngaro é indecifrável).

E deve-se reconhecer o forte senso de orgulho do povo, que repete à exaustão que o prédio do Parlamento é o segundo maior da Europa, que a cúpula da catedral é a quarta mais pesada, que a avenida Andrassi é a segunda mais longa, etc., etc., etc., num delírio de grandeza que lembrou as referências feitas no filme “Borat” ao personagem-título, o “Segundo Melhor Repórter do Glorioso País o Cazaquistão”, e à sua irmã, a “Quarta Melhor Prostituta do Cazaquistão”.

O problema, acredito eu, é que Budapeste é hoje o que Praga era há cerca de 15 anos: uma cidade com potencial, mas carente de restauração. Some-se a isto o clima permanentemente chuvoso e o fato de que TUDO lá é cobrado –- e nem sempre barato –-, e o resultado não poderia mesmo ter sido dos melhores.

Não quero dizer que não vale a pena conhecer a cidade, mas há outros destinos que eu recomendaria sejam visitados primeiro. Vou tentar voltar no verão (ou em 15 anos?), para procurar encontrar em Budapeste tudo o que me foi prometido…

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Viagem de Ano Novo: Viena

Não fosse o meu receio de ferir suscetibilidades, eu diria que os austríacos são alemães mais gentis. Ou que os alemães são austríacos mais mal-educados.

E além da gentileza de seus moradores, Viena tem a mostrar uma beleza clássica e ao mesmo tempo funcional, resultado da combinação entre os magníficos palácios construídos pelos poderosos Habsburgos (família de nobres que reinou sobre a região por muitos séculos, à qual pertenceu a Imperatriz Tereza Cristina, esposa de D. Pedro II) e o intenso trabalho de planejamento urbano feito na virada do século XIX para o século XX.

Eu, que já havia estado na capital da Áustria no verão, a achei comparativamente bastante desprovida de encantos: a escassez de pessoas nas ruas, a nudez dos outrora impecáveis jardins do Palácio Schönbrunn, as ruas, em geral limpíssimas, cobertas de lama em razão da neve… Por sorte pegamos os últimos dias da bela decoração de Natal na cidade, o que compensou um pouco esta minha sensação de desapontamento.

Foi em Viena, também, que minha cunhada viu a neve pela primeira vez (embora já houvesse nevado em Praga, o volume de neve por lá mal fora suficiente para não derreter imediatamente ao cair no chão).

Tenho que confessar que senti uma certa inveja, a mesma que tenho de pessoas que, já adultas, vêem o mar pela primeira vez. Como passei por ambas as experiências ainda criança, fase em que paradoxalmente tudo e nada é novidade, perdi a chance de sentir o fascínio que deve sentir um adulto ao ver pela primeira vez aquela imensidão de água, seja salgada, seja –- como no caso –- congelada.

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Pena que esse fascínio passe com o (mau) tempo, já que nessas condições climáticas as tarefas mais cotidianas, tal como levar um bebê para passear, podem se tornar um verdadeiro estorvo…

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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Viagem de Ano Novo: Réveillon em Praga

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A capital da República Tcheca é outra cidade que não canso de visitar; assim como em Dresden, esta também foi minha quarta vez por lá, e a segunda durante o inverno. E, também como Dresden, Praga tem uma alcunha à sua altura: Paris do Leste.

Diferentemente de Dresden, porém, em Praga o que impressiona não é a reconstrução pós-Segunda Guerra, e sim a revitalização pós-comunismo. Eu, que estive por lá pela primeira vez parcos 4 anos após a abertura da Cortina de Ferro e conheci a cidade antes dessa revitalização, a considero –- mais que quaisquer Galleries Lafayette -- um dos mais ostensivos marcos do poder do capitalismo na Europa.

Talvez seja esta a principal razão de Praga ser uma cidade ávida por turistas -- que correspondem a essa avidez com paixão, lotando suas ruas e lojas de souvenirs, apesar do frio e das poucas horas de claridade que os curtos dias de inverno proporcionam.

Os “poucos” Euros que os turistas da Europa Ocidental trazem para cá são generosamente “multiplicados” ao serem convertidos em Coroas Tchecas, a moeda local. Não só a taxa de conversão lhes é bastante favorável, como os preços comparativamente baixos (mesmo para uma cidade da Zona do Euro considerada barata, como Berlim) permitem um “upgrade” no padrão de viagem habitual dos turistas da classe econômica. E os italianos, que segundo minhas estimativas representavam cerca de 70% dos presentes na cidade durante nossa estadia, parecem apreciar particularmente essa situação favorável.

Se é que há um lado negativo nisso tudo, é o fato de que a região central, bem mais cara que o resto da cidade, acaba ficando inteiramente esvaziada de “vida local”. Tchecos, por ali, só os vendedores, garçons e guias turísticos. Nada que prejudique a beleza da Paris do Leste…

Por fim, mais algumas fotos da nossa virada de ano na Praça da Cidade Velha, e da baladinha pós-virada em um bar de jazz sobre um deque flutuante sobre o Rio Vlatva chamado Jazz Dock.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Viagem de Ano-Novo: Dresden

Finalmente começo os relatos da viagem que fiz com meu irmão e cunhada entre os dias 29.12.2009 e 10.1.2010…

Primeira parada: Dresden, capital da Saxônia (vide http://graci-in-berlin.blogspot.com/2009/12/meissen-e-entorno.html) às margens do Rio Elba, conhecida como “Florença do Norte” até ser intensamente bombardeada nos últimos dias da Segunda Guerra Mundial e ter 90% de seu centro destruído, supostamente como vingança pelos bombardeios a Londres pela Luftwaffe (Força Aérea Alemã).

Foi minha quarta visita. Mesmo assim, nunca deixo de me comover ao ver as fotos da cidade arrasada, nos livros e cartões postais espalhados pelas lojas de souvenirs, e em seguida erguer os olhos para o magnífico trabalho de reconstrução feito pelos alemães.

Fomos recebidos em nosso primeiro dia por um céu e sol luminosos, o que nos animou a explorar a pé todo o centro antigo e contribuiu para as belas fotos que tiramos.

Em nosso segundo dia -- na verdade apenas uma manhã, já que partiríamos para Praga por volta de 13h --, o bom tempo foi substituído por um céu cinzento e garoa constante, e ainda mais frio. Aproveitamos para fazer um passeio de barco pelo Elba e apreciar (inicialmente a partir do convés, e por fim do aconchego do restaurante do navio, tomando uma cerveja de trigo) a paisagem e castelos às margens do rio.

E apesar de não ter sido a primeira, desta vez a visita teve algo de muito especial: finalmente entrar na Frauenkirche, a Igreja de Nossa Senhora, que eu até então só conhecera como um amontoado de escombros em meio ao qual se erguia o portal norte (em pedra mais escura, na foto abaixo), e que foi reerguida pedra por pedra a partir do entulho original entre 1992 e 2005, num impressionante trabalho de engenharia e paciência. Simplesmente inesquecível!

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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Meissen e entorno

Passei os últimos dois dias no interior da Saxônia (ou Sachsen, Estado alemão ao sul de Berlim, cuja capital é a lindíssima Dresden), região famosa pelos vinhedos, porcelana e trabalhos em madeira – e, nesta época do ano, pela decoração de Natal.

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Fiquei hospedada em Meissen, uma antiga cidade saxã na beira do Rio Elba que conseguiu conservar a beleza estilo arquitetônico austro-húngaro, apesar das décadas de regime comunista e seus caixotes de concreto (quem conhece os prédios sem pilotis das quadras 400 em Brasília sabe do que estou falando…).

Além da praça da prefeitura e da praça do mercado, típicas para cidades alemãs, Meissen tem um burgo bastante antigo no alto de uma colina, dentro do qual ficca um domo gótico de interior extremamente austero e dimensões impressionantes para uma cidade tão pequena.

Nessa época do ano, coberta de neve, com pinheiros e guirlandas iluminadas e feirinhas de natal (“Weihnachtsmarket”) nas principais praças, Meissen aquece o coração de qualquer um -- mesmo a 12 graus Celsius abaixo de zero, temperatura média durante o primeiro dia em que fiquei por lá.

De carro, a partir de Meissen, foi possível passar por vários vilarejos nas redondezas (a chamada “Suíça Saxã”), e ir até Königstein, uma imponente fortaleza encrustrada no alto de uma rocha, que remonta a 1241. Infelizmente o interior da fortaleza não estava aberto à visitação, mas apesar da escuridão (que já começa a cair às 16h) foi possível admirar a construção pelo lado de fora, inclusive o Weihnachtsmarkt montado no pátio -- que, já fechado, mas ainda iluminado, conferiu ao cenário um ar ao mesmo tempo mal-assombrado e aconchegante…

Inverno

Finalmente o inverno chegou com toda a sua força. Castigou a cidade, mas cobriu de branco e silêncio o entorno. Paisagens de sonho…

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Dublin IV - Nostalgia

Viajando sozinha, tive tempo de sobra para deixar meus pensamentos voarem à vontade, e eles vez por outra acabavam pousando perto de alguém, no Brasil.

Primo, ri sozinha dentro do ônibus quando vi a Apex Travel;

Nuxa, Gui, como não pensar em vocês assistindo ao show de uma banda cover do U2 em um pub irlandês de Dublin?!

Vã, tomei um Baileys Irish Cream em sua homenagem. Na hora, bateu uma certa melancolia por querer partilhar a experiência com você e não poder. Mas logo em seguida me ocorreu que de certo modo eu estava, sim, dividindo o Baileys com você (assim como o show com a Ana e o Guilherme, e a piada fácil sobre a Apex com o Duda), e me senti reconfortada. A lógica da coisa é um pouco tortuosa, mas não por isso menos verdadeira: se eu pensei em você é porque você estava comigo, ainda que só em pensamento. Ter alguém de quem se lembrar é como trazê-la sempre conosco...

Dublin III - Curiosidades

"Loja de 1,99" em Euros -- eles arredondam pra cima:




No Castelo de Dublin, a Justiça não é cega, e olha com ternura para a espada...


Os negócios da família ampliando seus horizontes geográficos e seus ramos de atividade: