quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

So this is Christmas…

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Queridos,

Este ano praticamente começou e termina na Europa. Parece mentira pensar que em janeiro eu estava na Suécia a trabalho… Tantas coisas aconteceram de lá pra cá que parece que a vida que eu levava quando estive em Linköping não é a mesma que levo agora. Antes o trabalho, a vida no Brasil com todos os seus confortos, a proximidade da família e dos amigos (infelizmente nem todos tão próximos geograficamente quanto eu gostaria); agora os estudos, a vida espartana de bolsista, as novas amizades e as saudades de tudo e todos que deixei no Brasil.

Como gosto de repetir, toda escolha implica renúncia. Ao decidir vir para a Alemanha mais uma vez, renunciei, por exemplo, a acompanhar de perto momentos muito especiais na vida de cinco grandes amigas –- o casamento de uma e a gravidez das outras quatro. Renunciei a estar perto da família quando minha tia Noca faleceu, em outubro. Mas também descobri que sou mais jovem do que pensava ser, e me dei conta de que para enxergar os muitos caminhos que podemos trilhar basta lembrar de olhar para os lados de vez em quando. O balanço até agora é, portanto, bastante positivo.

Espero que também o seja para cada um de vocês, agora que mais um ano se encerra nas páginas viradas do calendário. E desejo que todos tenham um Natal muito feliz, e que em 2010 os caminhos a trilhar estejam sempre ao alcance dos olhos.

Um beijo grande e saudoso,

Graci

P.S.: Na Noite de Natal, além do Menino Jesus, chegarão meus queridos irmão e cunhada, com quem passarei o Natal em Berlim, de onde seguiremos para Dresden, Praga (onde passaremos o reveillón), Viena e Budapeste. O blog vai ficar um pouco desatualizado, mas assim que eu voltar prometo fotos e relatos da viagem.

+ Bjs!

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Meissen e entorno

Passei os últimos dois dias no interior da Saxônia (ou Sachsen, Estado alemão ao sul de Berlim, cuja capital é a lindíssima Dresden), região famosa pelos vinhedos, porcelana e trabalhos em madeira – e, nesta época do ano, pela decoração de Natal.

deutschland_politisch

Fiquei hospedada em Meissen, uma antiga cidade saxã na beira do Rio Elba que conseguiu conservar a beleza estilo arquitetônico austro-húngaro, apesar das décadas de regime comunista e seus caixotes de concreto (quem conhece os prédios sem pilotis das quadras 400 em Brasília sabe do que estou falando…).

Além da praça da prefeitura e da praça do mercado, típicas para cidades alemãs, Meissen tem um burgo bastante antigo no alto de uma colina, dentro do qual ficca um domo gótico de interior extremamente austero e dimensões impressionantes para uma cidade tão pequena.

Nessa época do ano, coberta de neve, com pinheiros e guirlandas iluminadas e feirinhas de natal (“Weihnachtsmarket”) nas principais praças, Meissen aquece o coração de qualquer um -- mesmo a 12 graus Celsius abaixo de zero, temperatura média durante o primeiro dia em que fiquei por lá.

De carro, a partir de Meissen, foi possível passar por vários vilarejos nas redondezas (a chamada “Suíça Saxã”), e ir até Königstein, uma imponente fortaleza encrustrada no alto de uma rocha, que remonta a 1241. Infelizmente o interior da fortaleza não estava aberto à visitação, mas apesar da escuridão (que já começa a cair às 16h) foi possível admirar a construção pelo lado de fora, inclusive o Weihnachtsmarkt montado no pátio -- que, já fechado, mas ainda iluminado, conferiu ao cenário um ar ao mesmo tempo mal-assombrado e aconchegante…

Inverno

Finalmente o inverno chegou com toda a sua força. Castigou a cidade, mas cobriu de branco e silêncio o entorno. Paisagens de sonho…

domingo, 20 de dezembro de 2009

Typisch Deutsch (tipicamente alemão) II

O post anterior (http://graci-in-berlin.blogspot.com/2009/12/typisch-deutsch-tipicamente-alemao.html) dá uma boa noção da paranóia dos alemães com segurança. Para evitar dúvidas, melhor que o alerta seja o mais minucioso possível.

Até aí, tudo bem; o problema é que eles realmente não sabem quando parar.

Todos certamente já viram, alguma vez na vida, junto a alguma escada, o aviso “Cuidado: degrau”. Aqui também tem (em alemão, por supuesto: “Vorsicht: Stufe”). Inclusive na escadaria do saguão do edifício principal da Universidade Humboldt:

Saguão HU 2

O leitor mais detalhista talvez tenha percebido as plaquinhas metálicas na lateral de cada degrau. Lá estão elas também no segundo patamar da escadaria:

Saguão HU 3

É isso mesmo: degrau após degrau, andar após andar, lá está o aviso:

Vorsicht

Vai que alguém está subindo e de repente esquece, né?!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Typisch Deutsch (tipicamente alemão)

  • Aviso no metrô de Londres, para a segurança dos passageiros:

“Mind the Gap” (algo como “Cuidado com o vão”).

Mind the Gap

  • Aviso no metrô de Berlim, com a mesma finalidade:

“Geehrte Fahrgäste, bitte beachten Sie beim ein- und aussteigen die Lücke zwischen Zug und Bahnsteigkannte” (“Prezados Passageiros, ao embarcar e desembarcar, favor atentar para o vão entre o trem e a plataforma ferroviária”).

Até terminar a frase, quem tinha que cair já caiu…

Bahnsteigkannte

Greve dos Universitários

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Acreditem ou não, há mais de um mês uma boa parte dos estudantes universitários alemães (e de algumas universidades europeias, especialmente suíças e austríacas) está em greve. Até agora não entendi muito bem o que eles tanto querem, ou não querem, a ponto de invadir (pacificamente) e permanecer há semanas ocupando auditórios e salões das faculdades germânicas afora. O cerne da questão, ao que parece, é a reforma do ensino superior promovida na União Europeia para harmonizar a formação dos graduandos e pós-graduandos e assim facilitar a tão propalada plena liberdade de exercício da atividade profissional dentro da UE. 

A lista de reivindicações, além de algumas razoáveis (maior número de bolsas de estudos / aumento no valor das bolsas; mais participação e direito de voto nas deliberações acadêmicas), tem outras que parecem coisa de preguiçoso: extinção das listas de presença, diminuição da carga horária e até do stress (!) a que os coitados estão submetidos.

(Engraçado é que lá pelas tantas eles não se contêm, e vem à tona o ideário (tão 1968!) dos estudantes-grevistas – liderados, aliás, por agremiações chamadas “Sowjet”, “Revolution” e afins: “(…) Os mecanismos que nos submetem a crescentes pressões por desempenho e tornam a educação cada vez mais voltada para o mercado não atacam só o sistema educacional, mas remetem a uma estrutura social global, a saber, a ordem econômica capitalista.”  --trecho de panfleto sobre a greve, negrito conforme o original)  

Na prática, a greve não atrapalha o andamento do semestre, pelo menos na Faculdade de Direito. O maior contratempo é que o único lugar que comporta o grande número de alunos de Direito Civil é o Audimax (“Auditorius Maximus”), o QG dos grevistas acampados. Lá, como disse o simpático Professor Singer (que negociou habilmente com os líderes a nossa presença), somos “tolerados”. E é nesse local gelado (achamos que a Universidade desligou o aquecimento para abreviar a ocupação), em meio a faixas de protesto, pessoas dormindo em colchões, cheiro azedo de cerveja, cigarro e suor (ou “murrinha”, como diria a minha mãe), eventuais interrupções e demonstrações bem humoradas  -- como a luta da classe inferior (“Unterschicht”, sem acesso ao ensino superior) contra a classe superior (“Oberschicht”, devidamente instalada em um banco de faculdade, com laptop, livros e etc.), retratada nas fotos abaixo --, que dissecamos parágrafo a parágrafo o espinhoso Código Civil alemão…

Fotos do Audimax ocupado:

Uma última nota sobre o assunto: no último fim de semana de novembro estive em Munique, e visitei a minha antiga faculdade. Lá estavam eles, também… em assembleia, em pleno sábado!!! E eu achando que são um bando de folgados, que injustiça!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Em Berlim, 16h30 da noite…

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(Foto feita a partir da janela do meu quarto/sala. Três graus Celsius. Vai ser um looooongo inverno…)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Show do U2 diante do Portão de Brandemburgo

Amanhã faz um mês que esse pocket-show encheu meus olhos. A voz do Bono não estava no auge, as fotos (tiradas do telão, por causa da distância) também não ficaram nenhuma maravilha, mas o jogo de luzes sobre o monumento mais famoso de Berlim foi inesquecível. Fiquei arrepiada só de rever os vídeos -- links abaixo… (tá, talvez também tenha a ver com a propaganda do Davidoff Cool Water, que antecede o primeiro… :P)

One + Magnificent

Sunday Bloody Sunday feat. Jay-Z

Festa de Halloween

Com mais de um mês de atraso, posto algumas fotos da festança de Halloween para a qual a Verena, minha irmã da Alemanha, ganhou ingressos. Eu provavelmente era a única não-fantasiada na festa, e a fantasia da Verena se revelou amadora diante das fantasias e maquiagens profissionais dos demais convidados.

A festa também foi um show à parte, com circo-fantasma e tudo o mais (o “recepcionista” era esse Hitler estilizado, no álbum de fotos abaixo -- as fotos não estão nenhuma maravilha, mas retratam bem o clima do evento).

Spooky!

Habemus Internet!

Nesta minha quarta temporada no exterior, talvez por estar mais acostumada (ou menos deslumbrada) com a vida na Europa, tenho estado mais atenta aos rótulos (pré-conceitos) que nos levam a categorizar os povos sem que sequer os conheçamos. Eu mesma já cansei de esclarecer o porquê de eu não ser mulata; como é que eu falo tantas línguas; que Brasília não fica no meio da Amazônia; e outros clichês quetais.

Ao assistir recentemente a um documentário brasileiro (Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado), que trata do turismo sexual no Nordeste sob a ótica das brasileiras que sonham em encontrar um marido rico entre seus "clientes" estrangeiros, e do choque cultural sofrido por aquelas que conseguem realizar esse sonho, não pude deixar de comentar com a Eva (brasileira, doutoranda em biologia aqui na Universidade de Potsdam), que foi comigo, que provavelmente o número de brasileiras na nossa situação é maior que o das ex-(?) prostitutas casadas com alemães, mas que um documentário a respeito de vidas como as nossas certamente faria adormecer até mesmo o mais aficcionado cinéfilo. Portanto, avante com os clichês, que vendem tão bem!

O e-mail que escrevi para um grupo de amigos sobre os mais recentes escândalos da política no DF demonstra bem meu atual estado de espírito sobre esse tema:

A sorte é que por aqui ninguém tá ligando muito pras questões sérias referentes ao Brasil... todo mundo soube que o RJ vai sediar a Copa de 2014, mas ninguém comentou do helicóptero da PM que foi abatido no RJ, do recente apagão ou da ladroagem escancarada da politicalha brasiliense... Fato é que os clichês, verdadeiros ou não, são o que define cada país perante os demais. E simpatia, corrupção, mulatas, violência, futebol e sexo são o nosso cartão de visitas, infelizmente...

Isso tudo para dizer que, depois de esperar 33 dias para ter telefone e internet em casa, acabei sendo vítima dos meus próprios pré-conceitos: eu, que sempre pensei que os alemães fossem a personificação da eficiência em todas as áreas, descobri na prática que, em se tratando de prestação de serviços, por incrível que pareça, os alemães somos nós...