segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Pequena Blasfêmia de uma Agnóstica

Descobertas do dia:
1. Deus existe.
2. Ele me ama.
3. Ele está zangado comigo por não ter acreditado nele até hoje.

Trocando em miúdos:
1. Deus criou Johannes.
2. Ele substituiu o desistente Christopher (pequeno dinamarquês estilo "água de salsicha") por Johannes (belíssimo espécime nativo) como meu parceiro na aula de salsa.
3. Ele me deu um "bad skin day" justo hoje.

domingo, 25 de outubro de 2009

Once a nerd, always a nerd

Tirei 15 (de 18 pontos possíveis) na minha primeira prova! lol

(vide post "Metalinguagem", de 02/10/2009)

Em tempo: achei que tinha ido super mal na prova...

sábado, 24 de outubro de 2009

Orgulho Acadêmico II

Faltou acrescentar uma coisa muito importante no post abaixo: é claro que as escolas que freqüentei foram determinantes para que eu chegasse onde estou hoje.

Mas eu certamente não teria aproveitado tudo o que elas me ofereceram se não fosse a formação que duas pessoas muito especiais me proporcionaram, com algum sacrifício financeiro e emocional (especialmente quando resolvi, aos 16 anos, fazer intercâmbio para a Alemanha, e quando passei no vestibular e saí definitivamente de casa para morar em São Paulo): Pai, Mãe, não tenho palavras para agradecer tudo o que vocês me deram.

Aliás, existem sim, só que não são minhas, nem foram escritas para este contexto -- mas não importa, porque elas dizem tudo o que eu sinto quando penso em vocês:

In My Life
(Lennon/McCartney)
"There are places I'll remember
All my life, though some have changed
Some forever, not for better,
Some have gone, and some remain

All these places had their moments
With lovers and frends, I still can recall
Some are dead and some are living
In my life I've loved them all

But of all these friends and lovers,
There is no one compares with you
And these memories lose their meaning
When I think of love as something new

Though I know I'll never lose affection
For people and things that went before
I know I'll often stop and think about them
In my life I love you more"

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Orgulho Acadêmico

Sempre tive a sensação de que as coisas boas que aconteceram na minha vida foram muito mais obra do acaso do que do meu esforço pessoal. As coisas simplesmente foram dando certo, quer eu as tenha planejado ou não (embora uma amiga diga que isto é decorrência do alto grau de cobrança que me imponho, o que me causaria uma permanente sensação de desmerecimento).

Talvez por isso eu não veja como convencimento o orgulho que sinto por ter tido o privilégio de cursar a São Francisco. Convencimento seria se eu me considerasse superior aos outros por ter estudado lá, o que não chega nem perto de ser verdade -- ressalvado que não considero convencimento achar que lá recebi uma ótima formação, já que a qualidade está na faculdade, e não em mim. A verdade é que com a confusão e a correria dos anos de segundo grau, intercâmbio, mudança para Recife e dúvidas vocacionais eu nem sei bem como acabei indo parar lá, e que fui para lá praticamente sem sequer saber bem do que se tratava.

Mas os anos de faculdade acabaram se revelando os mais felizes, divertidos e enriquecedores da minha vida, e tiveram uma influência enorme na formação pessoa que sou hoje. Não bastasse tudo isso, o prédio é um alívio inspirador em meio à feiúra decadente do centro velho de São Paulo:
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Salão Nobre da FADUSP
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O mesmo se dá, em menor escala, com relação aos dois semestres que cursei na Ludwig-Maximilians-Universität de Munique: a correria para escrever a monografia, o prêmio, o trancamento da faculdade e um ano que passou voando. E, no meio de tudo isso, um orgulho enorme por poder me sentar naqueles bancos históricos, e um perene “embasbacamento” com a beleza do prédio:
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E agora estou passando por isto uma terceira vez, com a Humboldt-Universität zu Berlin... Após uma semana e meia de aulas, ainda é cedo para dizer que conheço a faculdade, mas não tenho como não sentir orgulho ao ver a fachada da Faculdade de Direito à qual agora também pertenço:
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Fachada lateral da Faculdade de Direito
Foto de Salomé Jibuti
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Fachada principal da faculdade de direito, atualmente em reforma
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Ou ao olhar para o outro lado da avenida e ver o imponente prédio principal da Universidade,
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Detalhe do letreiro da fachada
do prédio principal da HU
Foto de Salome Jibuti
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Vista da HU a partir da fachada lateral
da Faculdade de Direito
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ao lado do qual se avistam a enorme cúpula da Berliner Dom (Catedral) e a horrenda Fernsehturm (Torre de Televisão – sim, aqui também tem!), marcos da paisagem da cidade:
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Vista do Berliner Dom e do Fernsehturm
a partir da fachada principal da Faculdade de Direito
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E, principalmente, não há como não ficar arrepiada ao caminhar pela Bebelsplatz,
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Foto panorâmica da Bebelsplatz, com a Faculdade de Direito
à direita, a Berliner Oper à esquerda e a Heiligkirche ao fundo
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e ver, no exato ponto onde aconteceu a hedionda queima dos livros pelos nazistas, enterradas sob uma placa de vidro, as estantes brancas vazias que servem para lembrar a humanidade de que queimar livros é destruir não só o passado, mas também o futuro...
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terça-feira, 13 de outubro de 2009

Dublin IV - Nostalgia

Viajando sozinha, tive tempo de sobra para deixar meus pensamentos voarem à vontade, e eles vez por outra acabavam pousando perto de alguém, no Brasil.

Primo, ri sozinha dentro do ônibus quando vi a Apex Travel;

Nuxa, Gui, como não pensar em vocês assistindo ao show de uma banda cover do U2 em um pub irlandês de Dublin?!

Vã, tomei um Baileys Irish Cream em sua homenagem. Na hora, bateu uma certa melancolia por querer partilhar a experiência com você e não poder. Mas logo em seguida me ocorreu que de certo modo eu estava, sim, dividindo o Baileys com você (assim como o show com a Ana e o Guilherme, e a piada fácil sobre a Apex com o Duda), e me senti reconfortada. A lógica da coisa é um pouco tortuosa, mas não por isso menos verdadeira: se eu pensei em você é porque você estava comigo, ainda que só em pensamento. Ter alguém de quem se lembrar é como trazê-la sempre conosco...

Dublin III - Curiosidades

"Loja de 1,99" em Euros -- eles arredondam pra cima:




No Castelo de Dublin, a Justiça não é cega, e olha com ternura para a espada...


Os negócios da família ampliando seus horizontes geográficos e seus ramos de atividade:

Dublin II - Literatura e Cerveja


Os irlandeses têm, com toda a razão, grande orgulho dessas duas instituições nacionais. Referências a Oscar Wilde, George Bernard Shaw, James Joyce e companhia estão espalhadas por toda a cidade, assim como os tradicionais pubs.





Entusiasta que sou de uma e de outra, aproveitei para visitar tanto o James Joyce Center, o Dublin Writers' Museum e as maravilhosas bibliotecas (o belo prédio da Chester Beatty Library e sua impressionante coleção de papiros e preciosas edições manuscritas da bíblia e do alcoorão; a National Library e principalmente o "Long Hall", o estonteante salão em madeira e pé direito quádruplo que abriga os bustos em mármore dos principais escritores britânicos e os 200.000 livros mais antigos do Trinity College, a principal universidade de Dublin, cujo campus é um dos mais bonitos e ao mesmo tempo aconchegantes que já vi -- as fotos acima não são minhas, já que é proibido fotografar lá dentro), como alguns pubs e a Cervejaria Guinness.

Mas a combinação ideal entre as duas eu encontrei no "Dublin Literary Pub Crawl" (algo como "Engatinhar Literário entre os Pubs de Dublin"), um divertido passeio noturno de 2,5h de um pub para outro (4 no total), regado a "pints" de cerveja e conduzido por dois atores que ao longo do percurso contam estórias sobre a cidade e suas personagens, e interpretam ou citam trechos de peças e obras famosas de autores irlandeses. A melhor citação da noite foi de Oscar Wilde, como não podia deixar de ser: "Having sex is like playing bridge. If you don't have a good partner, you'd better have a good hand."

A cereja do sundae: no encerramento, os atores promoveram um quiz de perguntas e respostas. Um inglês e eu lideramos até o final, quando passamos a disputar um contra o outro -- e eu, contando com o apoio maciço dos demais co-transeuntes (presumivelmente não só pela simpatia de que desfrutam os brasileiros no exterior, mas principalmente pela bem-humorada antipatia que os ex-colonizadores britânicos despertam na rebelde Irlanda), acabei vencendo, e levando como prêmio a camiseta com o logotipo do passeio...

Dublin I - Fachadas Vitorianas

Pousei no aeroporto da capital da Irlanda às 9 da manhã da última quinta-feira, 8.10., onde fui recebida por um sol radiante -- e mais que bem-vindo, considerando a chuva torrencial que caía em Berlim na hora da decolagem. Depois de alguns minutos de adaptação ao divertido sotaque local, e de "desadaptação" do reflexo condicionado de falar alemão, já estava pronta para o batismo de fogo pelo qual todo turista acidental tem que passar: descobrir como chegar do aeroporto à cidade, o que ver e onde ficar sem gastar muito. Quanto aos dois primeiros passos, problema nenhum; já quanto ao terceiro... sem saber, acabei chegando justamente no final de semana em que Irlanda e Itália se enfrentariam em Dublin pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, o que inundou de "tifosi italiani" as ruas e hospedarias da cidade. Problema nenhum, não fosse o fato de eu não ter feito qualquer reserva. Resultado: um imprevisto passeio turístico por cerca de 15 hotéis, hostels e "Bed & Breakfast" até conseguir um pouso que reunisse todas as condições mínimas para minha estadia: 1) vaga; 2) localização; 3) banheiro no quarto; e 4) diária não-extorsiva.

Superado o inconveniente, embarquei em um city-tour e me deixei encantar pelo sem-número de casas em estilo vitoriano, com suas fachadas de tijolinho aparente, janelas cujo tamanho diminui conforme os andares aumentam (para que a casa pareça mais alta do que realmente é), e portas laqueadas nas mais diversas cores, sempre ladeadas por colunas gregas e encimadas por vidraças em meia-lua.






Acho que nunca uma cidade correspondeu com tanta exatidão à idéia que eu fazia dela...

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Só Faltou o Futebol...

Não que eu estivesse esperando uma grande partida, já que o ingresso de graça (Danke, Verena!), o amor ao futebol e a vontade de assistir a um jogo no mesmo Estádio Olímpico em que Hitler presenciou a ovação a Jesse Owens e toda a sua negritude nas Olimpíadas de 1936 bastariam para me tiraram de casa malgrado o frio torturante, mas a ruindade do jogo superou até as minhas piores expectativas.
Quando o Hertha abriu o placar aos 9 minutos de jogo, cerca de 80% dos 50.000 presentes urrou enlouquecidamente, e até cheguei a acreditar que seria pé quente o suficiente para presenciar uma vitória do último no confronto com o primeiro colocado da tabela do Campeonato Alemão. Infelizmente, a alegria dos Hertha-fans e a minha ilusão duraram parcos 15 minutos, tempo que levou para o jogador brasileiro Kaká (mas não O Kaká) fazer um belo gol de cabeça a la Oséas no Palmeiras: contra. E depois foi a vez do goleiro reserva sair tão mal, mas tão mal do gol, DUAS VEZES, que até deu saudades do Dida.

O segundo tempo conseguiu ser ainda pior que o primeiro -- o lado bom é que não deu a menor pena perder uma parte do jogo para ir com o Juli (brasileiro de Campo Grande que também está fazendo LL.M. na Humbold Universität, comigo na foto) buscar uma "cervejinha" (0,5l!).

(Pausa para admirar a engenhosidade germânica: o caneco de plástico, retornável (mas fiquei com o meu), pode ser "empilhado" pela alça, de modo que dá para carregar até 5 de 1x.)
No meio do segundo tempo caiu a noite, mudando completamente o visual do belo estádio...

.....................Só o que não mudou foi o placar, para infelicidade geral da nação berlinense: