sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Unsicht-Bar

 

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Com a proximidade do fim da minha temporada por aqui, resolvi me organizar para fazer tudo o que quero antes de ir embora. Comecei por elaborar uma lista, na qual constam os meus “objetivos”, com as respectivas localizações, preços e horários de funcionamento.

Bem no topo da lista, o Unsicht-Bar (trocadilho com o adjetivo unsichtbar, invisível), um restaurante com uma proposta no mínimo inusitada: os clientes jantam na mais absoluta escuridão, servidos por garçons deficientes visuais, e sem saber exatamente o que irão comer –- a opção fica entre os menus vegetariano, com frango, peixes e frutos do mar, carne ou  o menu surpresa, todos compostos por entrada, sopa opcional, prato principal e sobremesa.

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Como a enigmática descrição dos quatro primeiros menus não esclarece lá muita coisa,

(vide a entrada do menu de peixes e frutos do mar:

“The fish, that is travelling
through the seas
and thereby it triumphs
sweet as well as salty,
gets along with alligator pears
perfectly”

e outras pérolas no cardápio em inglês, disponível em http://www.unsicht-bar-berlin.de/unsicht-bar-berlin-v2/en/html/taste.html),

optei pelo último, em uma estratégia kamikaze (já utilizada por ocasião da minha viagem às cegas –- com o perdão por mais esse trocadilho –- do ano passado, narrada em http://graci-in-berlin.blogspot.com/2009/10/duvida-cruel.html e http://graci-in-berlin.blogspot.com/2009/10/viagem-as-cegas.html): se é para não saber o que vou comer, “lass’ dich überraschen” (deixe-se surpreender), como dizem por aqui.

Para não dizer que a surpresa foi absoluta, me permiti fazer uma única pergunta: se o menu levaria algum tipo de cogumelo (pra quem não sabe, eu abomino fungos de toda sorte). Diante da negativa, confirmei a minha escolha. Dos meus companheiros de “aventura”, três ficaram com a opção vegetariana, e o quarto, com o de carne.

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Uma vez escolhidos nossos pratos e bebidas, ainda no conforto familiar da claridade, fomos instruídos a desligar os celulares e a guardar quaisquer fontes de luminosidade, e mergulhamos no mais absoluto breu, conduzidos em fila indiana pelo nosso garçon, o simpático (e talvez sutilmente sádico) Markus.

Após caminharmos durante o que me pareceu uma pequena eternidade (ou andamos em círculo, ou o restaurante é muito maior do que aparenta ser pelo lado de fora!), chegamos à nossa mesa, e fomos sentados (assim mesmo, na voz passiva) um a um pelo Markus, que nos orientou brevemente sobre a localização dos talheres, prato e copos, traçando um paralelo com o posicionamento dos números no mostrador de um relógio (como nos filmes de aviação de guerra: inimigo –-- ou faca -- às três horas).

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Em seguida, o Markus trouxe as bebidas –- rindo levemente ao colocar a garrafa de 1l de água mineral na mesa, sem servir os copos. Quem já tentou encher um copo d’água ao acordar com sede no meio da noite talvez consiga imaginar a nossa dificuldade em manter a toalha de mesa e as nossas roupas secas, já que, por uma questão de higiene, controlar o nível da água no copo usando o dedo estava fora de cogitação...

A escuridão acabou sendo o tema predominante da nossa conversa. Por mais que arregalássemos os olhos, não enxergávamos rigorosamente nada. O mundo parecia ter se tornado unidimensional: uma interminável e impalpável parede preta. Aos poucos, porém, nossos outros sentidos foram se aguçando, e passamos a escutar melhor as conversas ao nosso redor, a adivinhar quantas pessoas estavam sentadas nas mesas ao lado, a identificar o que estávamos comendo... e a ouvir o risinho abafado do Markus sempre que um de nós falava algo engraçado sobre a situação (“tira a mão daí!”) ou esbarrava desajeitadamente em um copo.

Não vou estragar a surpresa contando o que comemos e bebemos. Basta dizer que todos saímos de lá satisfeitíssimos. Acho até que, de todos, o meu foi o menu mais saboroso –- talvez uma recompensa do chef aos destemidos que se lançam com ainda mais bravura rumo ao desconhecido...

(Crédito: as fotos deste post foram tiradas do site do Unsicht-bar, e alteradas conforme necessário.)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Varsóvia

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Mesmo já tendo rodado por boa parte da Europa, e morar por quase três anos (não-consecutivos) na Alemanha, eu nunca tinha ido à Polônia, a despeito da proximidade de Berlim com o país vizinho e dos muitos elogios a Danzig e Cracóvia que ouvi de amigos que lá estiveram.

Varsóvia, porém, nunca mereceu os mesmos elogios. Pelo contrário: até mesmo meus dois colegas poloneses, nascidos e criados na cidade, manifestaram seu estranhamento com a escolha do meu próximo destino, perguntando o que diabos eu iria fazer por lá. Explico: tendo sido arrasada por bombardeios durante a Segunda Guerra, Varsóvia foi totalmente reconstruída – não reproduzindo sua arquitetura original, como foi feito em várias cidades alemãs, mas sim quase que inteiramente seguindo a "estética comunista".

Mas como agora voltei à dura vida de trabalhar de segunda a sexta, e só me restam os fins de semana para viajar, e como as conexões aéreas e férreas para Danzig e Cracóvia não são as melhores para quem tem que respeitar o expediente integral em um escritório de advocacia, Varsóvia acabou sendo o único destino viável para minha primeira visita à Polônia. E assim lá fui eu, às quatro da manhã do último sábado de julho, encarar as mais de seis horas de trem entre as capitais alemã e polonesa.

Minha impressão inicial quase me fez antecipar a passagem de volta. Por mais que eu tenha sido alertada sobre a feiúra da estação central de Varsóvia, a realidade conseguiu superar as minhas piores expectativas. Ao desembarcar na plataforma subterrânea daquela construção escura e decadente, eu só conseguia pensar que deveria ter ouvido os meus amigos e colegas… mas ainda bem que não o fiz!

Bastou deixar para trás a estação, e perder de vista o vizinho Palácio da Cultura, um horrendo espigão tipicamente soviético, para perceber que embora não seja uma cidade deslumbrante, Varsóvia também tem seus encantos.

E não são poucos: a rua Nowy Swiat e seus muitos restaurantes e cafés,

a cidade antiga,

a Universidade,

o monumento a Chopin no Parque Lazienkowski (com direito a um concerto para piano gratuito ao ar livre),

os diversos monumentos aos judeus aprisionados no infame gueto e à resistência polonesa anti-nazista …

aliás, por coincidência, naquele fim de semana celebrou-se o aniversário desse movimento, e havia veteranos uniformizados, bandeiras e crianças distribuindo flores por toda parte.

Mas a mais emocionante e (para mim) inesperada homenagem aconteceu às 16h de domingo, 1º de agosto: uma sirene ecoou pela cidade, e todas as pessoas se ergueram e ficaram respeitosamente imóveis, no mais absoluto silêncio, por cerca de um minuto.

domingo, 8 de agosto de 2010

Pai

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Talvez a minha primeira palavra tenha sido um mal-balbuciado “mã-mãe”, não me lembro; mas as minhas primeiras lembranças são de estar no seu colo, ouvindo você cantarolar baixinho para mim:

“Bonequita linda / dos cabelos loiros / olhos de brilhante / lábios de rubi… / Eu te quero muito / muito, muito, muito / tanto, tanto, agora / sempre até morrer…”

Minhas recordações de infância são povoadas com a sua presença: você nos ensinando a fazer andorinhas de papel, que em seguida voavam mezanino abaixo, por sobre a sala de estar da nossa casa no H19A; você construíndo barquinhos que tinham por “casco” aquelas antigas caixas de ovos feitas de isopor, que levávamos juntos para soltar no espelho d’água em frente ao IAE; você fazendo cartazes para decorar as nossas festinhas de aniversário; você indo viajar –- e como você viajava! –- e voltando de viagem com chicletes, batatas chips e bichos de pelúcia…

Lembro do dia em que você preparou pela primeira vez a sua (única!) “especialidade gastronômica”, vaca preta, observado de perto pelos nossos olhinhos encantados com a espuma que se formava com o encontro entre a coca-cola e o sorvete de creme… Foram tantos passeios de bicicleta, de patins, tantas brincadeiras em parquinhos!

Veio a escola, e com ela as aulas de matemática, química, física, geografia… e a descoberta de que além de um grande companheiro de brincadeiras, você era um providencial e paciente oráculo tira-duvidas 24 horas à disposição. Nas suas mãos, luminárias de mesa eram o sol, lançando a luz do dia e a sombra da noite em planetas feitos de laranja e maçãs. Rotação, translação, eclipse solar, eclipse lunar, equinócio, solstício, tudo ali, ao alcance dos olhos e da compreensão…

Lembro da primeira vez que dançamos juntos, no casamento da Patrícia e do Amin, ao som de New York, New York… Lembro do meu orgulho de ter um pai tão alto, tão forte, tão bonito!

À medida que o tempo passava, comecei a identificar nos seus gestos contidos o orgulho pelas minhas conquistas (que sensação incrível saber que você também podia ter orgulho de mim, e não só o contrário!), o misto de preocupação e admiração com os meus planos mirabólicos (quem diabos faz intercâmbio na Alemanha?!), o respeito pelas minhas opiniões (quando fui promovida a revisora de discursos, por exemplo), o reconhecimento dos meus talentos (você provavelmente é meu mais antigo e fiel cliente, apesar de nem sempre receber de mim o tratamento que merece)… Sinais de um paradoxo: a distância entre nós diminuiu, apesar de os anos de vida que nos separam terem permanecido inalterados. 

Também houve brigas, após as quais  meu coração ficava apertado de angústia por ter te chateado. Mesmo assim eu achava um exagero quando você dizia que eu era jovem e esqueceria rapidamente aquela discussão, enquanto você ficaria aborrecido por dias. Hoje eu sei que era verdade, Pai… e se eu pudesse, eliminaria com requintes de crueldade, um a um, todos os que ousam te aborrecer!

Crescer tem seu lado difícil, Pai, e descobrir que o o herói indestrutível tem seu lado humano pode ser um deles. Mas acredite: eu não troco meu melhor amigo de hoje por aquele meu herói de uniforme (da Aeronáutica) de ontem por nada neste mundo.

Feliz Dia dos Pais! Eu te amo muito!

aaGracipai P.S.: Xande, só tenho uma coisa a desejar a você, como pai em incubação: que você saiba se tornar tão especial para o(a) Feijãozinho(a), que ele(a) um dia sinta a necessidade de dizer ou escrever algo assim em sua homenagem.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Ah, Pearl Jam...

O vídeo a seguir foi feito no dia do show do Pearl Jam aqui em Berlim, que mencionei no post anterior. Precisa dizer mais?!
http://www.youtube.com/watch?v=JFRQIEv6mC0

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Shows, shows, shows!

Depois de uma longa espera, iniciada em janeiro (quando comprei os ingressos), finalmente chegou  a minha tão aguardada “temporada de shows particular”… e valeu esperar cada minuto:

Kiss, o2 World, Berlim, 26.5.2010 (ou: “I wanna rock ‘n roll all night and party every day”)

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Todos os grandes clássicos, parte do público fantasiada, bateria erguida por cabos, guitarras sendo quebradas, Gene Simmons mostrando a linguona e cuspindo “sangue”, Paul Stanley voando por cima da plateia suspenso por cabos (passou bem por cima da minha cabeça!), luzes, chuva de papel picado…

Enfim, as duas horas de show do Kiss foram a perfeita concretização da definição de espetáculo:

“es.pe.tá.cu.lo
sm (lat spectaculu) (…). 3 Qualquer representação pública que impressiona ou é destinada a impressionar a vista por sua grandeza, cores ou outras qualidades.(…)”
  (fonte: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=espetáculo ).

Pura diversão!

 

AC/DC, Berlim, Olympiastadion, 22.6.2010 (ou: “for those about to rock, we salute you!”)

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O show que eu estava aguardando mais ansiosamente, não só pela ótima música (que, para quem não sabe, brilhou recentemente na trilha sonora do filme “Iron Man 2”), mas principalmente pela companhia da minha amiga Raquel Veloso, que “casou” a vinda dela à Europa com a data do show aqui em Berlim.

E não saí do famoso e lotadíssimo Estádio Olímpico de Berlim nem um pouco decepcionada. A voz quase inaudível do Brian Johnson (não que o som estivesse ruim ou baixo, mas parece que os 30 anos de sexo, drogas e rock ‘n roll cobraram seu preço na saúde vocal dele) foi suprida pelas mais de 50 mil vozes do público, que, devidamente paramentado com os famosos chifrinhos vermelhos, cantou todas as músicas no lugar do vocalista. O Angus Young mostrou a sua ótima forma musical e física tocando muito e fazendo um strip-tease até ficar de cuecas tipo “boxer” –- da “griffe” AC/DC, claro. E de salvas de canhão a locomotiva invadindo o palco, o que não faltou foi parafernália visual pra acompanhar a banda…

Pearl Jam, Wühlheide, Berlim, 30.6.2010 (ou “hey I, oh, I’m still alive”)

Sempre gostei muito de Pearl Jam. Achava as músicas ótimas, e para mim “You’ve got to hide your love away”, dos Beatles, ficou ainda melhor que o original na voz rouca do Eddie Vedder (gravada para o lindíssimo filme “I am Sam”, cuja trilha sonora é composta só de regravações de músicas dos Beatles), o que é quase uma blasfêmia para uma beatlemaníaca. (No vídeo abaixo, a voz é de Vedder.)

O fato é que agora eu já não gosto mais de Pearl Jam. Não. Desde a última quarta-feira eu estou perdidamente apaixonada por eles! Sua apresentação foi a maior surpresa de todas, e sem dúvida o melhor show ao qual já fui até hoje –- e não foram poucos...

O palco (um anfiteatro rodeado por um bosque), a belíssima luminosidade natural (do cair de uma noite de verão berlinense), a atmosfera pacífica e tranquila, as participações especialíssimas (de Ben Harper e do guitarrista do REM, Peter Buck), a emoção do Eddie Vedder, que ficou com a voz embargada e precisou parar de falar quando o público não parou de cantar o trechinho final de Black… uma noite simplesmente inesquecível!

Aerosmith, o2 Arena, Praga, 1.7.2010 (ou “sing with me / sing for the year / sing for the laugh / sing for the tears”)

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Sim, local e data são esses mesmos: 1.7.2010, Praga, um dia depois do show do Pearl Jam em Berlim. Depois de acordar ainda sonhando com o show da noite anterior, percorri de trem a distância entre as capitais alemã e tcheca para ver Steven Tyler e companhia ao vivo naquela mesma noite.

Não posso dizer que o show em si tenha sido ruim: som de qualidade, iluminação intensa, clássicos (inclusive a melosa “I don’t want to miss a thing”, da trilha sonora do filme “Armageddon”, que lançou Liv Tyler, filha de Steven, ao estrelato), o figurino extravagante e as caras-e-bocas-estilo-wanna-be-mick-jagger do frontman Steven Tyler, estava tudo lá. Mesmo assim, foi uma apresentação burocrática, o que já seria por si só ruim.

O fato, porém, é que esse foi o menor dos problemas: a visibilidade ruim em razão do palco muito baixo, e a longa espera de mais de 2h em pé na pista lotada, num calor insuportável e sem possibilidade de comprar bebida tornaram a experiência um suplício…

 

Bom, bola pra frente (metáfora apropriada em tempos de derrota em Copa do Mundo…): agora é esperar pelo próximo show (do Sting, em setembro)!

(Crédito: a maior parte das fotos foi feita pelos meus amigos Tomas Balun -– Kiss, AC/DC e Aerosmith -- e Peter Glezl –- Pearl Jam).

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Typisch Deutsch III

O verão chegou… e com ele as nuvens de pólen e sementes que invadem as casas e causam crises alérgicas em parte da população…

O chumaço na palma da minha mão, que encontrei no chão de casa, não é sujeira, juro!

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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Em Berlim, 22h da tarde


(Foto feita a partir da janela do meu quarto/sala. 26 graus Celsius – compare-se com http://graci-in-berlin.blogspot.com/2009/12/em-berlim-16h30-da-noite.html)

Eu adoro esta época do ano na Europa, com seus dias ensolarados e longos. Depois do inverno mais duradouro e rigoroso das últimas décadas, e de uma primavera fria e chuvosa, o verão finalmente chegou!

domingo, 6 de junho de 2010

O que tenho feito ultimamente

Durante a semana fico enclausurada em casa ou na biblioteca, escrevendo a monografia, com interrupções para aulas de spinning, dança de salão, salsa e pilates.

Mas nos fins de semana tento aproveitar o que a cidade e o entorno oferecem… alguns aperitivos:

  • Passeio de barco pelo Spree, rio que corta a cidade, no começo de maio:
  • Visita ao presídio de Höhenschonhausen, hoje desativado, onde ficavam os presos políticos da ex-República Democrática Alemã. Durante 2h, o guia, um ex-detento, conta a história do prédio, o dia-a-dia dos presos, as técnicas de tortura aprendidas com os soviéticos (que também usaram o prédio como presído logo após a Segunda Guerra) e como funcionava a máquina policial e judiciária do regime comunista alemão, também no começo de maio:
  • Karnaval der Kulturen, um “carnaval de rua fora de época” muito engraçado, com direito a “trios elétricos”, que corta as ruas de Kreuzberg, em 23 de maio:

O bloco “mais animado” (!), Afoxé Leoni, era “teuto-brasileiro”: uma puxadora baiana e muitas baianas alemãs… 

  • Ida a Bückow, uma cidade a 1h30 ao norte de Berlim, passando por lindos campos amarelos (plantações de canola) e florestas de um verde intenso, típico da primavera, no final de maio:

Como não amar esta cidade?!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Rügen

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Rügen, provavelmente o maior balneário de veraneio da Alemanha, é a maior ilha do país, banhada (por todos os lados, hehehe) pelo Mar Báltico.

mapa Rügen

Eu, que já havia estado lá em 1995, me entusiasmei com a ideia de visitar a ilha novamente, o que fiz no último fim de semana de abril, aproveitando a rara previsão –– que felizmente se confirmou –- de sol e temperaturas acima dos 10 graus celsius.

No trajeto, várias usinas de energia eólica (que mais parecem plantações de catavento) e a bela paisagem das planícies do nordeste alemão servem de moldura para uma “Autobahn” (rodovia federal) irretocável, na qual é possível (e permitido!) viajar a 200km/h (!) com toda a segurança, e tendo a impressão de que se está, no máximo, a 150km/h.

Foi de cima da ponte que liga a cidade de Stralsund, no continente, à ilha, que revi o Mar Báltico depois de 15 anos.

Binz foi a cidade escolhida como base para esta visita a Rügen, por ser a mais urbanizada e com melhor infra-estrutura turística da região. Com o vento e o frio sob controle, foi surpreendentemente prazeiroso caminhar (de casaco e sapatos) pela praia de areia fina e branca, respirar o ar marinho e sentir o sol brando bater no rosto.

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Também passeei pela praia em Göhren, ao sul de Binz, passei por Sellin, onde tomei um sorvete em um belo café construído “sobre as águas”, e vi o sol se por em Kap Arkona, no extremo norte da ilha.

No nordeste da ilha, próximo a Sassnitz, há um parque ecológico com belas trilhas pela floresta (ainda desfolhada) que levam a um lindo conjunto de escarpas de cor branca, supostamente efeito do giz (ou seria caolin?) contido nas pedras da região. O contraste do branco das pedras com o azul da água é de uma beleza singular. Infelizmente, as fotos não fazem jus ao cenário...

Outra visita curiosa foi à cidade de Prora, onde existe um imenso complexo de prédios, hoje abandonado, erguido durante o regime nazista para servir de balneário de férias para a população alemã. A crença vigente à época era a de que um povo com acesso a lazer também seria um povo forte, daí a construção ter recebido a alcunha “Kraft durch Freude”, ou KdF, literalmente “Força através do Contentamento”.  O conceito –- e sua implementação –- são desconcertantes…

Mas a maior surpresa da viagem foi mesmo o único quiosque na beira da praia em Binz. Os mais atentos logo verão, na foto abaixo, a bandeira do Brasil, e lerão as inscrições nas faixas verde (“Bar Brasileiro”) e amarela (“Cantinho Legal”). Não é exagero dizer que brasileiro está em tudo o quanto é canto… até em Rügen!!!

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sábado, 22 de maio de 2010

Leipzig

 

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Leipzig (pronuncia-se “Laipzigue”), a aproximadamente 200km a sudoeste de Berlim, é a segunda cidade mais importante da Saxônia, atrás apenas da encantadora capital do Estado, Dresden (http://graci-in-berlin.blogspot.com/2010/01/viagem-de-ano-novo-dresden.html).

Por seu passado glorioso transitaram os maiores expoentes da literatura (Goethe e Schiller) e da música clássica alemãs (Mendelssohn, Schumann, Wagner e Bach), muitos dos quais estão eternizados em estátuas espalhadas pela cidade.

Às suas portas também realizou-se uma das mais violentas batalhas (mais de 100 mil mortos e feridos) contra o exército de Napoleão, vencida pela aliança entre Prússia, Rússia e Áustria -- e por ocasião de cujo centenário foi erguido um dos monumentos mais horrorosos que meus olhos já viram:

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A cidade também sofreu danos severos durante a Segunda Guerra Mundial, e as décadas de regime comunista em nada contribuíram para a sua restauração, que vem sendo conduzida aos poucos. Mesmo assim, muito já foi feito, especialmente em comparação com cidades menores e menos importantes, como Brandemburg (http://graci-in-berlin.blogspot.com/2010/05/brandemburg-stadt.html).

Minha conclusão é que Leipzig certamente vale a visita, seja para admirar a harmoniosa mistura de construções em estilo romântico e moderno que se vê no centro, seja para almoçar no famoso Auerbachkeller, seja para aproveitar a noite na movimentadíssima Barfussgässchen, ruela de pedestres com dezenas de barzinhos enfileirados…

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domingo, 16 de maio de 2010

Brandemburg Stadt

Outra cidade próxima a Berlim (70 km) que visitei recentemente foi Brandemburg, antiga capital do Estado homônimo (função hoje exercida por Potsdam, como contei em http://graci-in-berlin.blogspot.com/2010/05/ultimos-dias-com-patricia.html).

Apesar de antiqüíssima (o primeiro povoado teria surgido por volta do ano 1000 d.C.), esta cidade às margens do rio Havel somente entrou para a história no século XX, pela infâmia de ter abrigado o principal centro de execução de deficientes físicos e mentais conduzido pelos nazistas sob o eufemisto “eutanásia”.

Tristemente, Brandemburg ainda não conseguiu se recuperar dos longos anos de guerra e comunismo, e é hoje um retrato do que muitas regiões da antiga Alemanha Oriental se tornaram: uma bela cidade que a falta de cuidado, manutenção e reformas enfeiou, e que viu sua população economicamente ativa diminuir e envelhecer nos últimos 20 anos devido ao êxodo dos jovens para o oeste.

Últimos dias com a Patrícia

Como eu ainda estava em época de provas quando a Patrícia chegou, ela acabou tendo que fazer a maior parte dos passeios em Berlim sozinha. Mas, depois que voltamos da nossa viagem pela Europa, ainda consegui mostrar a ela algumas coisas que ela não tinha visto na cidade, como a East Side Gallery (pedaço do muro hoje inteiramente pintado por artistas plásticos), o Museu Judaico, o Domo (catedral protestante) e o bairro de Friedrichshein.

Na véspera da nossa despedida, Pat e eu passamos o dia na vizinha cidade de Potsdam, capital do Estado de Brandemburgo (Berlim, como Brasília, é um “enclave” dentro de Brandemburgo), palco da Conferência realizada pelos aliados em 1945, que resultou na divisão da recém-derrotada Alemanha em quatro áreas de ocupação administradas por EUA, URSS, Inglaterra e França –- e que mais tarde resultaria na divisão do país em dois, com a criação da República Democrática Alemã.

Além da obrigatória visita a Sanssouci, com seus jardins e palácios, também fomos ao Castelo Cecilienhof (onde se realizou dita Conferência), ao bairro holandês e à vila russa Alexandrowka.

domingo, 9 de maio de 2010

Para um amor do outro lado do oceano

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Mãe,

Em dias como o de hoje, em que a distância que nos separa parece ainda maior que de costume, eu me lembro do seu abraço ao nos despedirmos no aeroporto de Brasília, e esta lembrança me enternece e me conforta.

Há coisas que não precisam ser ditas. E você sempre demonstrou seu amor sem palavras milhares de vezes, das mais diversas formas, nesses 33 anos em que estamos juntas. Mas naquele dia, chorando nos seus braços, como foi bom ouvir a sua voz embargada dizer: “eu te amo, filha”!

Eu também te amo, mãe. Muito.

Feliz Dia das Mães!