terça-feira, 29 de setembro de 2009

Matrícula - a saga

Duas horas e meia em pé na fila de matrícula para alunos estrangeiros, contadas no relógio. Eu e todo o cast das antigas propagandas multirraciais da Benneton. Pelo menos a funcionária, mesmo a contragosto, não criou maiores dificuldades por eu ainda não ter a autorização de residência -- já pensou esperar este tempo todo e sair de lá de mãos abanando?! Bom, situação-Tostines (vide post de 27.9.) resolvida. E o grande consolo nisso tudo: durante as tais 2,5h me foi dado apreciar detidamente um clone mais jovem do Jason Stratham. Para os incautos que não sabem de quem se trata:

Alguns chamam isso de justiça divina; outros, lei da compensação. Seja o que for, valeu. :P

domingo, 27 de setembro de 2009

Eleições Parlamentares

Dia de eleições para o parlamento alemão. Desta vez, diferentemente das outras duas eleições que vivenciei por aqui, a campanha estava nas ruas: cartazes pra todo lado, chamadas na TV, convocação nos jornais para o comparecimento popular (o voto é facultativo)...

O sistema eleitoral é um pouco confuso pra quem não tem ph.D em física quântica, mas funciona bem para uma democracia que leva os partidos a sério (e em que os partidos se levam a sério...). Em linhas bem gerais, o eleitor vota duas vezes: em um determinado partido (voto em lista) e em um determinado candidato, que não precisa necessariamente ser do mesmo partido em cuja lista se votou. A distribuição dos assentos no Bundestag segue os percentuais alcançados pelos partidos e respectivos candidatos.

Em um país que já sofreu tanto com o nacional-socialismo como com o comunismo, a tensão reinante é sempre para saber se a extrema direita e a extrema esquerda cresceram em representatividade. Ainda não vi nada sobre a extrema direita, mas os esquerdistas conseguiram vitórias expressivas -- para decepção da Birgit, minha "mãe alemã", que, como ex-cidadã da República Democrática (???) Alemã, vivenciou todas as deficiências e o autoritarismo do regime, e se tornou uma capitalista convicta desde que, grávida do filho mais velho (Marian), fugiu para casar e viver com o Dieter em Berlim Ocidental, e passou a ter acesso a coisas elementares como material de construção sem ter que ser membro do partido, comprar no mercado negro a preços exorbitantes, ter cupons de racionamento ou esperar meses na fila.

Mas assim como há coisas que nos distinguem, existem aquelas que nos aproximam: o uso do humor pelos candidatos com menos chance como forma de propaganda, e a falta de consciência eleitoral, só para me restringir a duas. Da primeira categoria vem um dos melhores slogans que eu já vi: "Nós temos mais a oferecer" ("Wir haben mehr zu bieten"). Isoladamente, nada de novo. Mas dentro do contexto certo...

... percebe-se que a comparação pretendida foi menos quanto à plataforma eleitoral, e mais quanto à plataforma, digamos, peitoral... (para quem não acompanhou nos jornais, a foto da atual chanceler alemã, Angela Merkel -- à esquerda --, tirada em uma solenidade na Turquia há alguns meses, causou frisson mundo afora).

Quanto à falta de consciência política, basta dizer que o troféu "motivo mais fútil para votar em alguém" vai para a Birgit: na falta de motivo melhor, votou em um candidato que se parece muito com o Marian:


Uma coisa nisso tudo me deixa orgulhosa (pelo menos até se constatar alguma fraude em nossas urnas eletrônicas): por aqui ainda usam cédulas de papel!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Willkommen in Berlin!

Mal se passaram 72h desde que o vôo 184 da Lufthansa despejou sua carga de passageiros no aeroporto de Tegel, mas sinto como se estivesse em Berlim há um mês. Talvez porque a experiência de ficar hospedada na mesma casa em que vivi há 15 anos pareça um interminável déjà-vu, ou talvez por eu já ter vivido tanta coisa desde então, o fato é que parecem ter se passado uns 30 dias em 3.

Aliás, muita coisa se passou não só desde que cheguei, mas desde que parti. A viagem em si mereceria um post à parte: a correria até o aeroporto de Brasília e a choradeira de praxe na despedida, a gratíssima surpresa de me deparar com uma amiga muito querida me esperando na rampa de embarque, afazeres em Guarulhos (registrar o laptop levou quase 1h!!!)... e em Frankfurt, após 11h de vôo, mais ansiedade: fila no balcão da Lufthansa para retirar o cartão de embarque para Berlim, com o tempo de conexão super apertado (deu certo); passar pela imigração dizendo que estou aqui para estudar, mas sem visto (não sei dizer se o policial alemão foi com a minha cara ou se ficou impressionado com todos os vistos e carimbos no meu passaporte, mas o fato é que também deu certo); rigor no controle policial em razão das recentes ameaças da Al-Qaeda à Alemanha (cachorros por todo lado e um jovem oficial que me abordou no raio-x e me pediu para acompanhá-lo até uma máquina que identifica vestígios de explosivo, em que meu sobretudo foi analisado, e depois me cantou: "deu positivo, vou precisar que você me dê o seu número de telefone"); e o grand finale: claro que uma das minhas duas malas extraviou na conexão (na foto, só as que chegaram). Mas como Alemanha, teu nome é eficiência, na manhã seguinte a fujona foi entregue na casa da minha "família alemã".


Por falar em família, que felicidade ser recebida pela minha "mãe da Alemanha" já no aeroporto! A fofa tinha dito ao telefone que jamais permitiria que sua "filha mais velha" pegasse um taxi para ir para casa, depois de tantos anos, e realmente não permitiu... Assim como também não permitiu que eu tivesse tempo de sentir saudades de casa: do aeroporto fomos direto a um restaurante grego, onde nos esperavam meu "irmão" Marian, minha "irmã" Verena, Thommy (Thomasius, o novo pulguento da família), e muitas horas de conversa regada a cerveja (Prost!) e Ouzo (Opa!). Ao chegarmos em casa, um rápido telefonema para dar sinal de vida, e cama.

Os dias seguintes foram pura burocracia. Abrir conta (31 anos, velha demais para ter uma conta de estudante, isenta de tarifas); contratar seguro-saúde (31 anos, velha demais para ter o seguro-saúde para estudante, 75% mais barato); me registrar como residente... e foi então que passei pela situação-Tostines do ano: nas instruções para matrícula consta que é preciso comprovar o registro, mas no departamento de estrangeiros exigem a comprovação de matrícula para outorgar o registro. E lá vou eu tentar convencer os funcionários da universidade a me matricular...

A diversão tem sido procurar apartamento. Do alto das minhas 14 mudanças, posso dizer que casa nova, em qualquer circunstância, é uma delícia -- e em breve terei a minha 15a. Além disso, nessas horas, entre uma vistoria e outra, consigo caminhar com mais calma pelo bairro central (Mitte -- ou Meio, como reza a criatividade germânica) onde vou morar, e constatar o quanto esta cidade fantástica mudou desde que aqui estive pela última vez, há uma década. Ainda não vi a Siegessäule, mas sei que ela continua lá, à espera do nosso reencontro....

quarta-feira, 16 de setembro de 2009