quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Varsóvia

SV400088

Mesmo já tendo rodado por boa parte da Europa, e morar por quase três anos (não-consecutivos) na Alemanha, eu nunca tinha ido à Polônia, a despeito da proximidade de Berlim com o país vizinho e dos muitos elogios a Danzig e Cracóvia que ouvi de amigos que lá estiveram.

Varsóvia, porém, nunca mereceu os mesmos elogios. Pelo contrário: até mesmo meus dois colegas poloneses, nascidos e criados na cidade, manifestaram seu estranhamento com a escolha do meu próximo destino, perguntando o que diabos eu iria fazer por lá. Explico: tendo sido arrasada por bombardeios durante a Segunda Guerra, Varsóvia foi totalmente reconstruída – não reproduzindo sua arquitetura original, como foi feito em várias cidades alemãs, mas sim quase que inteiramente seguindo a "estética comunista".

Mas como agora voltei à dura vida de trabalhar de segunda a sexta, e só me restam os fins de semana para viajar, e como as conexões aéreas e férreas para Danzig e Cracóvia não são as melhores para quem tem que respeitar o expediente integral em um escritório de advocacia, Varsóvia acabou sendo o único destino viável para minha primeira visita à Polônia. E assim lá fui eu, às quatro da manhã do último sábado de julho, encarar as mais de seis horas de trem entre as capitais alemã e polonesa.

Minha impressão inicial quase me fez antecipar a passagem de volta. Por mais que eu tenha sido alertada sobre a feiúra da estação central de Varsóvia, a realidade conseguiu superar as minhas piores expectativas. Ao desembarcar na plataforma subterrânea daquela construção escura e decadente, eu só conseguia pensar que deveria ter ouvido os meus amigos e colegas… mas ainda bem que não o fiz!

Bastou deixar para trás a estação, e perder de vista o vizinho Palácio da Cultura, um horrendo espigão tipicamente soviético, para perceber que embora não seja uma cidade deslumbrante, Varsóvia também tem seus encantos.

E não são poucos: a rua Nowy Swiat e seus muitos restaurantes e cafés,

a cidade antiga,

a Universidade,

o monumento a Chopin no Parque Lazienkowski (com direito a um concerto para piano gratuito ao ar livre),

os diversos monumentos aos judeus aprisionados no infame gueto e à resistência polonesa anti-nazista …

aliás, por coincidência, naquele fim de semana celebrou-se o aniversário desse movimento, e havia veteranos uniformizados, bandeiras e crianças distribuindo flores por toda parte.

Mas a mais emocionante e (para mim) inesperada homenagem aconteceu às 16h de domingo, 1º de agosto: uma sirene ecoou pela cidade, e todas as pessoas se ergueram e ficaram respeitosamente imóveis, no mais absoluto silêncio, por cerca de um minuto.

Um comentário:

Pat disse...

Pelas suas fotos e seu relato, realmente dá vontade de visitar...