Viajando sozinha, tive tempo de sobra para deixar meus pensamentos voarem à vontade, e eles vez por outra acabavam pousando perto de alguém, no Brasil.
Primo, ri sozinha dentro do ônibus quando vi a Apex Travel;
Nuxa, Gui, como não pensar em vocês assistindo ao show de uma banda cover do U2 em um pub irlandês de Dublin?!
Vã, tomei um Baileys Irish Cream em sua homenagem. Na hora, bateu uma certa melancolia por querer partilhar a experiência com você e não poder. Mas logo em seguida me ocorreu que de certo modo eu estava, sim, dividindo o Baileys com você (assim como o show com a Ana e o Guilherme, e a piada fácil sobre a Apex com o Duda), e me senti reconfortada. A lógica da coisa é um pouco tortuosa, mas não por isso menos verdadeira: se eu pensei em você é porque você estava comigo, ainda que só em pensamento. Ter alguém de quem se lembrar é como trazê-la sempre conosco...
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terça-feira, 13 de outubro de 2009
Dublin III - Curiosidades
"Loja de 1,99" em Euros -- eles arredondam pra cima:
No Castelo de Dublin, a Justiça não é cega, e olha com ternura para a espada...
Os negócios da família ampliando seus horizontes geográficos e seus ramos de atividade:
Dublin II - Literatura e Cerveja

Os irlandeses têm, com toda a razão, grande orgulho dessas duas instituições nacionais. Referências a Oscar Wilde, George Bernard Shaw, James Joyce e companhia estão espalhadas por toda a cidade, assim como os tradicionais pubs.



Entusiasta que sou de uma e de outra, aproveitei para visitar tanto o James Joyce Center, o Dublin Writers' Museum e as maravilhosas bibliotecas (o belo prédio da Chester Beatty Library e sua impressionante coleção de papiros e preciosas edições manuscritas da bíblia e do alcoorão; a National Library e principalmente o "Long Hall", o estonteante salão em madeira e pé direito quádruplo que abriga os bustos em mármore dos principais escritores britânicos e os 200.000 livros mais antigos do Trinity College, a principal universidade de Dublin, cujo campus é um dos mais bonitos e ao mesmo tempo aconchegantes que já vi -- as fotos acima não são minhas, já que é proibido fotografar lá dentro), como alguns pubs e a Cervejaria Guinness.









Mas a combinação ideal entre as duas eu encontrei no "Dublin Literary Pub Crawl" (algo como "Engatinhar Literário entre os Pubs de Dublin"), um divertido passeio noturno de 2,5h de um pub para outro (4 no total), regado a "pints" de cerveja e conduzido por dois atores que ao longo do percurso contam estórias sobre a cidade e suas personagens, e interpretam ou citam trechos de peças e obras famosas de autores irlandeses. A melhor citação da noite foi de Oscar Wilde, como não podia deixar de ser: "Having sex is like playing bridge. If you don't have a good partner, you'd better have a good hand."
A cereja do sundae: no encerramento, os atores promoveram um quiz de perguntas e respostas. Um inglês e eu lideramos até o final, quando passamos a disputar um contra o outro -- e eu, contando com o apoio maciço dos demais co-transeuntes (presumivelmente não só pela simpatia de que desfrutam os brasileiros no exterior, mas principalmente pela bem-humorada antipatia que os ex-colonizadores britânicos despertam na rebelde Irlanda), acabei vencendo, e levando como prêmio a camiseta com o logotipo do passeio...

Dublin I - Fachadas Vitorianas
Pousei no aeroporto da capital da Irlanda às 9 da manhã da última quinta-feira, 8.10., onde fui recebida por um sol radiante -- e mais que bem-vindo, considerando a chuva torrencial que caía em Berlim na hora da decolagem. Depois de alguns minutos de adaptação ao divertido sotaque local, e de "desadaptação" do reflexo condicionado de falar alemão, já estava pronta para o batismo de fogo pelo qual todo turista acidental tem que passar: descobrir como chegar do aeroporto à cidade, o que ver e onde ficar sem gastar muito. Quanto aos dois primeiros passos, problema nenhum; já quanto ao terceiro... sem saber, acabei chegando justamente no final de semana em que Irlanda e Itália se enfrentariam em Dublin pelas Eliminatórias da Copa do Mundo, o que inundou de "tifosi italiani" as ruas e hospedarias da cidade. Problema nenhum, não fosse o fato de eu não ter feito qualquer reserva. Resultado: um imprevisto passeio turístico por cerca de 15 hotéis, hostels e "Bed & Breakfast" até conseguir um pouso que reunisse todas as condições mínimas para minha estadia: 1) vaga; 2) localização; 3) banheiro no quarto; e 4) diária não-extorsiva.
Superado o inconveniente, embarquei em um city-tour e me deixei encantar pelo sem-número de casas em estilo vitoriano, com suas fachadas de tijolinho aparente, janelas cujo tamanho diminui conforme os andares aumentam (para que a casa pareça mais alta do que realmente é), e portas laqueadas nas mais diversas cores, sempre ladeadas por colunas gregas e encimadas por vidraças em meia-lua.
Acho que nunca uma cidade correspondeu com tanta exatidão à idéia que eu fazia dela...
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