Nesta minha quarta temporada no exterior, talvez por estar mais acostumada (ou menos deslumbrada) com a vida na Europa, tenho estado mais atenta aos rótulos (pré-conceitos) que nos levam a categorizar os povos sem que sequer os conheçamos. Eu mesma já cansei de esclarecer o porquê de eu não ser mulata; como é que eu falo tantas línguas; que Brasília não fica no meio da Amazônia; e outros clichês quetais.
Ao assistir recentemente a um documentário brasileiro (Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado), que trata do turismo sexual no Nordeste sob a ótica das brasileiras que sonham em encontrar um marido rico entre seus "clientes" estrangeiros, e do choque cultural sofrido por aquelas que conseguem realizar esse sonho, não pude deixar de comentar com a Eva (brasileira, doutoranda em biologia aqui na Universidade de Potsdam), que foi comigo, que provavelmente o número de brasileiras na nossa situação é maior que o das ex-(?) prostitutas casadas com alemães, mas que um documentário a respeito de vidas como as nossas certamente faria adormecer até mesmo o mais aficcionado cinéfilo. Portanto, avante com os clichês, que vendem tão bem!
O e-mail que escrevi para um grupo de amigos sobre os mais recentes escândalos da política no DF demonstra bem meu atual estado de espírito sobre esse tema:
A sorte é que por aqui ninguém tá ligando muito pras questões sérias referentes ao Brasil... todo mundo soube que o RJ vai sediar a Copa de 2014, mas ninguém comentou do helicóptero da PM que foi abatido no RJ, do recente apagão ou da ladroagem escancarada da politicalha brasiliense... Fato é que os clichês, verdadeiros ou não, são o que define cada país perante os demais. E simpatia, corrupção, mulatas, violência, futebol e sexo são o nosso cartão de visitas, infelizmente...
Isso tudo para dizer que, depois de esperar 33 dias para ter telefone e internet em casa, acabei sendo vítima dos meus próprios pré-conceitos: eu, que sempre pensei que os alemães fossem a personificação da eficiência em todas as áreas, descobri na prática que, em se tratando de prestação de serviços, por incrível que pareça, os alemães somos nós...
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3 comentários:
"...é a vida, e é bonita, e é bonita"... quer música e mensagem mais brasileiras?
bjs!
Lembra aquele meu post no twitter? Achava que haveria internet wi-fi onde quer que eu fosse em Londres e NY (acreditávamos que o iphone seria a solução "organizações tabajara" "para todos os nossos problemas"...), mas a verdade é que tem muito mais internet livre em SP.
E quanto aos clichês, pelo que parece, o Lula é um deles...também infelizmente!
Graci!
Assiste o filme Whatever works do Woody Allen... Fui ver ontem no cinema! E ele alfineta bem essa questão de clichês, bem à la Woody Allen... Eu amei o filme! Tudo bem que eu amo Woody Allen, mas vale mto à pena assistir!
Beijos
Eva
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