domingo, 27 de setembro de 2009

Eleições Parlamentares

Dia de eleições para o parlamento alemão. Desta vez, diferentemente das outras duas eleições que vivenciei por aqui, a campanha estava nas ruas: cartazes pra todo lado, chamadas na TV, convocação nos jornais para o comparecimento popular (o voto é facultativo)...

O sistema eleitoral é um pouco confuso pra quem não tem ph.D em física quântica, mas funciona bem para uma democracia que leva os partidos a sério (e em que os partidos se levam a sério...). Em linhas bem gerais, o eleitor vota duas vezes: em um determinado partido (voto em lista) e em um determinado candidato, que não precisa necessariamente ser do mesmo partido em cuja lista se votou. A distribuição dos assentos no Bundestag segue os percentuais alcançados pelos partidos e respectivos candidatos.

Em um país que já sofreu tanto com o nacional-socialismo como com o comunismo, a tensão reinante é sempre para saber se a extrema direita e a extrema esquerda cresceram em representatividade. Ainda não vi nada sobre a extrema direita, mas os esquerdistas conseguiram vitórias expressivas -- para decepção da Birgit, minha "mãe alemã", que, como ex-cidadã da República Democrática (???) Alemã, vivenciou todas as deficiências e o autoritarismo do regime, e se tornou uma capitalista convicta desde que, grávida do filho mais velho (Marian), fugiu para casar e viver com o Dieter em Berlim Ocidental, e passou a ter acesso a coisas elementares como material de construção sem ter que ser membro do partido, comprar no mercado negro a preços exorbitantes, ter cupons de racionamento ou esperar meses na fila.

Mas assim como há coisas que nos distinguem, existem aquelas que nos aproximam: o uso do humor pelos candidatos com menos chance como forma de propaganda, e a falta de consciência eleitoral, só para me restringir a duas. Da primeira categoria vem um dos melhores slogans que eu já vi: "Nós temos mais a oferecer" ("Wir haben mehr zu bieten"). Isoladamente, nada de novo. Mas dentro do contexto certo...

... percebe-se que a comparação pretendida foi menos quanto à plataforma eleitoral, e mais quanto à plataforma, digamos, peitoral... (para quem não acompanhou nos jornais, a foto da atual chanceler alemã, Angela Merkel -- à esquerda --, tirada em uma solenidade na Turquia há alguns meses, causou frisson mundo afora).

Quanto à falta de consciência política, basta dizer que o troféu "motivo mais fútil para votar em alguém" vai para a Birgit: na falta de motivo melhor, votou em um candidato que se parece muito com o Marian:


Uma coisa nisso tudo me deixa orgulhosa (pelo menos até se constatar alguma fraude em nossas urnas eletrônicas): por aqui ainda usam cédulas de papel!

5 comentários:

Fabi disse...

Hoje teve eleições para a Assembléia da República também em Portugal. Para minha surpresa, recebi a cédula para "eleitores fora da Europa", por causa da dupla nacionalidade. Foram dois espantos: descobrir que eu era mais portuguesa do que pensava (já que eu nem sabia que era eleitora) e imaginar que um voto "postal e ultramarino" tinha valor! Piadas de português à parte (e olha que nem vou falar da instrução cômica de como fazer o "X" no quadradinho...) achei bacana; me senti acolhida pelo país do meu pai...mas é um tipo de voto, no mínimo, contestável pelos verdadeiramente nacionais. Deve estar dando o que falar.
Como não era obrigatório, não votei para não me sentir influenciável no governo de um país que eu só visitei uma vez (é a tal coisa da consciência política, que às vezes dói...). No entanto, fiquei surpresa por haver muitos partidos de esquerda (escancaradamente com denominação e logotipo de esquerda: a foice, a mão empunhada, etc).
Mas confesso que fiquei curiosa por saber em quem votaria e não é que eu achei uma ferramenta na internet chamada eu profiler" ("eu" de União Européia) que, após uma bateria de perguntas, te dá sua "posição política" (como num mapa, relacionando as distâncias com todos os partidos do país escolhido). Quer tentar? O site é: http://www.euprofiler.eu/
Bjs., Fabiana

Anônimo disse...

Essas candidatas são feias di com força!

Unknown disse...

Oi amiga! Bom relato, para variar... gostei muito da plataforma peitoral, ha ha ha. E votar porque parece alguem? Crem Deus Pai... quanto ao voto em papel, li que é o unico que permite ter certeza de que nao há fraude; porque vc acha que EUA, Japão e Alemanha não aderem a via eletrônica? Certamente por melhores motivos do que aqueles pelos quais o Brasil o faz... ja encontraram urna eletronica jogada na rua aqui em SP. E uma cidadezinha de 7.000 habitantes teve computo de 70 mil eleitores - zero nada vale afinal de contas, né?
Grande beijo, continue escrevendo!
FE

Bruno Santa Maria disse...

Olá, Graci, adorei o seu texto rápido e direto, bem diferente da retórica estéril da maioria dos "adevogados" brasileiros. Serei um leitor assíduo. Bjs. Bruno Santa Maria

Graci disse...

É, Raquel, bonita é a Erundina... ou a Ideli Salvati... :P